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O indestrutível amor pela indestrutível Desportiva

Em quarta-feira, 10 fevereiro de 2021

É difícil amar aquilo que nos oferece dor. Aquilo que zomba da nossa paciência e aniquila nossa esperança. A Desportiva é assim. Ela e qualquer time local. Estamos vivendo há 20 anos uma crise de sucesso sem fim. O amadorismo do futebol capixaba é um banquete àqueles que não consomem nosso famigerado esporte bretão. Um prato cheio à negação do bairrismo. Ao amor próprio. À nossa bandeira. Ao nosso Espírito que é Santo. Dizem, desde sempre, que as coisas vão melhorar. Certamente sim, mas não sei quando.

Eu mesmo comecei a torcer pela Desportiva em 1996. O time estava na série B do Brasil. Era um time temido. Figueirense, Avaí, CRB, dentre outros, sabiam que enfrentar a torcida Grená no alçapão do Araripe era tarefa de gente grande. Já vi o Fluminense levar baile. Já vi o Bahia se rasgar para empatar. Já vi o Remo ser dissipado.

Hoje, fruto de dirigentes amadores, de uma imprensa cruel, ela nem na série D está. Precisa vencer o estadual para isso. Consegue participar eventualmente, mas sem muito êxito. Mas a Desportiva continua sendo o único clube com um estádio desse porte. O único clube que tem uma torcida que carrega o amor em sua alcunha. O único clube que coloca 15.000 numa série B de estadual. O clube que mais venceu o estadual desde sua fundação. Repito para os ogros: desde sua fundação.

A Desportiva é o clube que sabe fazer amigos e diante de sua grandeza adormecida, também faz inimigos, através da tal inveja. E dá pra entender.
Todo mundo quer ter a força da marca Grená. Todo mundo quer usar essa camisa. Todo mundo queria ter essa história. Mas poucos conseguem.

A Tiva que não morreu mesmo quando um tal de Marcelo queria te matar.
Um clube que resistiu à destruição do seu patrimônio. Que respira esperança, mesmo com a poluição de uma estrutura que carece de mais investimentos.

E estamos aqui. Em 2021, mesmo com todas as dificuldades de fábrica, o clube consegue mais uma vez fazer um time que, se não é o suprassumo da técnica, brigará por mais um título. Porque a Desportiva não para, mesmo quando encerra suas atividades. A Desportiva continua gigante, mesmo quando Ferreiras dizem o contrário. A Desportiva continua sendo o maior do Espírito Santo, mesmo quando nossa autoestima é atingida.

É preciso ser muito grande, para continuar imensa, mesmo diante de tudo de ruim que a história escreve.
E a Tiva é.
Grande, rara, única, saborosa e nobre.
A Tiva é meu amor capixaba desde 1996.
Às vezes a gente briga, mas sempre a gente se ama.